Os comentários, assim como todo texto, pertencem ao anglo-católico Graeme Castleman, que, no seu site, compilou e acrescentou algumas notas a trechos selecionados de Frithjof Schuon sobre a Santíssima Trindade.
A compreensão Cristã da Encarnação é ela mesma baseada na Trindade. Os ensinamentos do Schuon sobre esse assunto são complexos e é impossível pesquisá-los aqui. Em uma perspectiva, as hipóstases são Relativas.
Deus é o Absoluto; Ele é a Essência única, enquanto as três Pessoas são as primeiras Relatividades… Elas atualizam as características indivisíveis da Essência.1
Mas em outra perspectiva, o Pai é Absoluto e o Filho e o Espírito são Relativos: O Pai é Supra-Ser2, o Filho é Ser, e o Espírito é Beatitude e Manifestação.3
Por uma certa perspectiva, eles são Absoluto:
…as Pessoas estão eminentemente presentes em Puro Âtma; caso contrário, eles não poderiam se atualizar dentro do Mâyâ. Nesse sentido as Pessoas hipostáticas estão acima da Relatividade. Eles são aspectos intrínsecos do absoluto…4
Por isso há ambiguidade na relação do Pai com o Filho: o Filho é igual e subordinado, dependendo da perspectiva.
…os Evangelhos mostram… que o Filho é a um só tempo subordinado e igual ao Pai, e é precisamente essa antinomia que abre para nós, de maneira indicativa, o mistério da Relatividade in divinis.5
As Hipóstases não são “relativas” na medida em que estão “contidas” na Essência… elas são relativas na medida em que “emanam” Dela; se Elas não estivessem “contidas” Nela, não poderiam “emanar”…no nível da essencialidade, elas pura e simplesmente coincidem com o Absoluto.6
No plano mais elevado de compreensão da Trindade está a multiplicidade in divinis – multiplicidade que não é outra senão a unidade Absoluta da qual nada está ausente. O Absoluto transcende a distinção entre simplex e complex; não é nenhum e ambos. A doutrina da Trindade é esotérica e metafísica:
Qualquer homem normal pode conceber a Unidade divina até certo grau… [mas] a Trindade pode ser compreendida apenas por aqueles que… são capazes… de se mover… na dimensão metafísica.7
Schuon aborda a questão da Trindade através de várias perspectivas, mas mesmo isso não esgota esse mistério, como ele observa,
Estamos aqui no limite do que pode ser expressado; não é culpa de ninguém se… ainda restam dúvidas sem respostas, e talvez sem qualquer resposta possível, ao menos em nível dialético… A ciência do coração não está sujeita a discussão.8
Graeme Castleman
- ‘Evidence and Mystery’, p. 117. ↩︎
- O Supra-Ser descrito por Schuon é idêntico ao Não-Ser (René Guénon), i.e., possibilidade de não-manifestação, visto que, sendo o Ser a infinita possibilidade de afirmação e a própria afirmação, seria impossível que ele pudesse manifestar todas as coisas, pois, se o fosse, o Infinito deveria ter um fim para que fosse inteiramente manifestado. Assim, o que chamamos de Ser não é nada senão um Infinito relativo e que o Não-Ser é propriamente o Infinito, no qual o Ser tem seu substrato. [N. T.]. ↩︎
- Do ‘Some Observations’, p. 39. ↩︎
- Do ‘Appendix: A Sampling of Letters and Other Unpublished Materials’, p. 168. ↩︎
- Do ‘Evidence and Mystery’, p. 122. ↩︎
- Do ‘Appendix: A Sampling of Letters and Other Unpublished Materials’, p. 176. ↩︎
- Do ‘The Particular Nature and Universality of the Christian Tradition’, p. 13. ↩︎
- Do ‘Appendix: A Sampling of Letters and Other Unpublished Materials’, p. 176. ↩︎






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