O Eterno Feminino

“Ella guardava suso, ed io in lei,
e in lei ardeva amor che mi rendea
del suo piacer lo intelletto in me.”

— Dante Alighieri

O cenário religioso moderno, muitas vezes travestido de tradicional1, tem por costume desconsiderar todo o caráter realmente profundo da feminilidade e o substituir por uma compreensão meramente externa e histórica da mesma; essa ignorância decorre da dessacralização do homem — i.e., da passagem do homo religiosus para o homo profanus2, cuja diferença encontra-se propriamente na capacidade de compreensão simbólica3. E também é possível, com até certa facilidade, perceber um movimento de semelhante natureza que insinua, de modo bastante arrogante, que os povos do passado adoravam as coisas nelas mesmas, ou seja, que os homens religiosos das diversas tradições — exceto os do “iluminado” Ocidente “judaico-cristão” — adoravam irracionalmente as forças naturais; não é preciso apontar o quão absurdas são essas afirmações que só podem ter origem em sociedades carentes de qualquer visão profunda acerca da Metafísica e sua expressão. É verdade que as tradições não abraâmicas4 são profundamente ligadas à força da natureza, mas apenas por seu campo mais simbólico e exterior, que é decorrente da intuição das verdades reveladas por Deus através da criação e que, pela lei da correspondência5, necessariamente estão intimamente envolvidas com um objeto de ordem superior, mais precisamente com a Metafísica6.

Após essas observações iniciais — que consideramos dotadas de valor suficientemente elevado para prevenir alguns dos mal-entendidos mais previsíveis em relação às reflexões que se seguem —, pretendemos avançar, de forma gradual, na construção de uma noção minimamente consistente7 do que se entende por Eterno Feminino. Emprego esse termo por sua ampla penetração na intelectualidade dos séculos XIX e XX, mas que poderia ser substituído por Sagrado Feminino ou Mulher Absoluta — e suas diversas formas ao redor do mundo8. No entanto, rejeitamos, por razões que serão evidentes mais tarde, as posições de certos autores que adotam essa terminologia; como, por exemplo, o Nietzsche, qual se enojava do aspecto feminino9 da Dualidade primeira10; igualmente, rejeitamos qualquer ideologia moderna de caráter feminista11, mesmo que essa se revista de formas supostamente tradicionais, como a Wicca ou a “bruxaria” moderna que são completamente vazias de significado metafísico e que encontram sua origem em contrafações de tradições europeias “pagãs” mortas12.

Para uma melhor compreensão do Feminino, tomaremos como eixo o simbolismo selênico13 e as conclusões que podemos extrair de sua análise, com a intenção de tornar mais claro o modo com o qual as tradições representam a Mulher. Primeiramente, é necessário identificar certos aspectos primários da Lua que nos servirão de guia para a elaboração dos símbolos lunares e, consequentemente, de todo o presente ensaio; são eles: a Lua enquanto reflexo do Sol e, portanto, de Deus; a Lua enquanto dinamismo; a Lua enquanto símbolo da manifestação cíclica; a Lua em sua relação com as três guṇas; e, por fim, uma visão prática dos papéis de gênero.


Um dos primeiros aspectos em que a Lua se apresenta a nós14 é em sua relação com o Sol, sendo esse necessariamente mais ativo e estático que a primeira. Afinal, apesar de se apresentar com o mesmo diâmetro que o Astro-Rei, a Lua é seu exato oposto em todos os seus atributos sensíveis e, como aponta o Sr. Olavo de Carvalho, eles são “…o emblema por excelência de todas as oposições máximas e irredutíveis…15. Não cairíamos em exagero ao dizer que o ponto mais importante da Lua, ao menos para nossos fins, é seu aspecto reflexivo16; a esse respeito, podemos recorrer ao darśana sāṃkhya da tradição védica com a ideia da dualidade primordial: Puruṣa e Prakṛti; são esses os dois polos da manifestação, respectivamente a essência e a substância — não entendida como sinônimo de οὐσία (ousia), mas de ύλη (hyle), sub-stare17.  O primeiro, como se deve imaginar, é o polo masculino da Primeira Dualidade (que só é uma dualidade em sentido relativo, visto que Puruṣa só se faz carente de um princípio correlativo quando não é olhado a partir de seu aspecto mais elevado, uttama), é propriamente Prajāpati, o Senhor dos seres produzidos; Puruṣa18 é imóvel e dominante, ele é o Ordenador Supremo: Manu19. Quanto ao segundo princípio, Prakṛti, é o polo feminino da manifestação, propriamente passivo, o receptáculo da essência e o substrato de toda a manifestação; Prakṛti exige Puruṣa na medida em que não pode ser causa eficiente de coisa alguma sem seu correlato. Aqui, Prakṛti assume um papel materno de manter em seu ventre toda a manifestação formal (assunto que será melhor desenvolvido mais tarde). O Sol e a Lua são as expressões visíveis e claras da Dualidade suprema, na medida em que, do mesmo modo que Prakṛti recebe sua essência de Puruṣa, a Lua recebe sua luz do Sol.

Conservando-nos na substância e na essência, devemos considerar que eles são, respectivamente, potência pura e ato puro. Isso significa que a substância não pode ser conhecida por si só, não por limitação de nosso conhecimento, mas porque não há nada a ser conhecido nela. Desse modo, tudo precisa ser mais ou menos essencial (e consequentemente atual) para que possa ser conhecido, tornando qualquer estudo que parta da negação da essência — como a ciência moderna —  incapaz de conhecimento verdadeiro.

Toda mulher nua incorpora a Natureza, a ‘Prakṛti’. Portanto, devemos olhá-la com a mesma admiração e o mesmo distanciamento que quando consideramos o segredo insondável da Natureza, a sua capacidade ilimitada de criação.” 20

Ainda nos atendo ao Sol e a Lua, devemos partir em direção à tradição do tantra śaiva não-dual, onde Śiva21 — englobando também Puruṣa, mas indo para além dele — se manifesta a partir da Deusa (Śākti), dando-lhe forma. De fato, Śiva e Śākti nunca estão de fato separados, mas em sentido relativo (e somente dessa forma), são princípios distintos, no qual Śiva é um experienciador da realidade manifesta em/por Śākti,22 essa união e separação — assim como a relação entre o Deus e a Deusa — serão tratados com maior cuidado futuramente; por enquanto, basta-nos saber que Śiva se insere no mundo por Śākti a fim de experienciar a manifestação e a Si Mesmo através do próprio reconhecimento de Si Mesmo, como se o Sol refletisse sua luz na Lua a fim de experienciar a Si Mesmo.

No esoterismo judaico, o Eterno Feminino é representado por Shekinah, i.e., a presença imanente da Divindade, simbolizando a natureza receptiva e passiva do feminino sagrado23. Nas Escrituras, Shekinah é profundamente relacionada com a constituição de um centro espiritual como o Tabernáculo ou os templos de Salomão e Zorobabel24. E, para não fugir do tema que nos aperta, somos constrangidos a ignorar aqui qualquer relação disso com um centro iniciático supremo; todavia, nos parece suficientemente justo apontar que qualquer centro espiritual e iniciático legítimo é um caminho em direção ao princípio supremo, o que exprime novamente a relação do princípio Feminino com o princípio Masculino.

Na tradição cristã e islâmica, talvez com uma disposição mais bela, podemos ver essa relação de imposição da essência na substância através da gravidez virginal e imaculada da Santíssima Virgem. Consta, nas Sagradas Escrituras cristãs, que “ecce concipies in utero et paries filium et vocabis nomen ejus Jesum”. É aqui que reside o mistério da manifestação, é na imposição do Verbo à matéria. A partir desse ponto de vista, Maria é a personificação da substância indiferenciada que recebe e revela Deus, i.e., reflete-O para nós. Ela O carrega em seu útero pois, em última instância, o olho com o qual se vê a Deus e o olho com o qual Deus vê você é o mesmo25; ora, ela é minha mãe pois, na medida em que é o elo passivo necessário para a manifestação, ela me abriga em seu ventre acolhedor e, pela mesma razão, abriga, revela e desvela Deus. Vale ressaltar que outras figuras mitológicas que foram, por um certo mal entendido, tidas como personificações da natureza, são na verdade representações simbólicas dessa Substância Universal e não devem ser entendidas de forma alguma como representações animistas da realidade. Gaia (assim como seus correspondentes simbólicos em outras tradições), portanto, longe de ser o planeta terra em sentido estrito e literal, transcende essa ideia sendo o próprio substrato da manifestação formal, elevando essas mitologias do status de contos para o status de sistemas metafísicos.

Esse significado torna a se repetir com a atividade sexual, onde o homem insere, através do pênis, forma a natureza receptiva e informe da mulher, representada pela internalidade da vagina. Daí decorre que a gravidez não é mais do que a própria manifestação ocorrida a nível microcósmico, reforçando a lei da correspondência. Com efeito, podemos notar que o homem, tendo seu órgão genital externo a si próprio, tem o sexo como um acessório e não como necessidade, enquanto a mulher o tem em seu interior, i.e., como uma necessidade de sua própria natureza. Quanto a isso, Santo Tomás de Aquino dirá que, por seu intelecto26 inferior, as mulheres são menos culpadas por certos pecados; ora, esse intelecto inferior27 encontra sua razão na própria necessidade sexual das mulheres que se reflete na anatomia de seus próprios corpos. Na Bíblia, podemos apontar Raquel que, expressando a natureza feminina, roga “Dá-me um filho; senão morro”; essa necessidade é a própria Lua que, sendo incapaz de produzir luz própria, necessita de seu correlato, este independente e imóvel, para que seja plenamente.

Retornando ao simbolismo da natureza, devemos nos atentar à relação da mulher com a natureza intocada, i.e., virgem, que é propriamente um vestígio do paraíso terrestre28; a natureza virgem é, portanto, o santuário primordial que nos guia à contemplação e, em última instância, ao próprio Deus. É aqui que podemos sentir de modo mais especial o que Goethe nos diz em Fausto: “O Eterno Feminino nos guia para cima”. É pertinente lembrar que a arte sagrada não é mais do que uma restituição desses significados metafísicos diante dos quais o homem se tornou insensível e, portanto, não há de forma alguma uma contradição entre a produção de templos grandiosos e a contemplação da natureza intocada que, ao gnóstico, ainda possui profundo e verdadeiro valor. Sendo a natureza intocada uma pegada do paraíso e sendo a mulher uma manifestação dessa própria natureza, devemos considerar que todo erotismo é uma busca pela natureza primordial do homem, i.e., pelo estado edênico no qual o homem é o profeta em si mesmo.

Em resposta a qualquer tipo de objeção baseada numa suposta substituição de Deus no amor erótico, devemos lembrar que quem ama os acidentes também ama a substância e que ninguém pode amar coisa alguma sem Deus ou fora d’Ele29; esse amor sacramental conserva em si um amor a Deus, pois não é por causa dos acidentes que amamos o que amamos, mas pelo Deus que habita nele e que, em última instância, é seu verdadeiro Si. O Sr. Frithjof Schuon nos apontará que, como corolário do amor, encontramos o desejo de posse e união; ora, se amamos à qualquer coisa, desejamos tê-la e estar juntos dela; desse modo, a mulher como a substância que se faz presente diante de nós é propriamente digna de amor e nos apresenta a Deus — é pelo reflexo da Lua que eu conheço o Sol na escuridão.


Desde os tempos mais remotos, os homens observam os astros e, por sua intuição profundamente aguçada, viam neles símbolos que o homem moderno não conseguiria ver sequer nas imagens sacras. Com efeito, esses povos perceberam que, ao contrário do Sol que não é dotado de nenhum tipo de devir, a Lua manifesta um dinamismo único30 e que, de certo modo, representa a própria existência manifestada.

A primeira coisa a ser notada nesse dinamismo é que, assim como a própria existência humana, a Lua nasce, morre e renasce numa espécie de Eterno Retorno31, o que poderia nos levar em direção à doutrina dos estados múltiplos do ser; no entanto, para que não nos percamos do tema proposto nesse texto, não é a esse aspecto do dinamismo selênico que nos atentaremos, mas principalmente na relação desse dinamismo com o Sol e como isso manifesta o Sagrado Feminino em seu significado cosmológico. Poderíamos representar o dinamismo lunar através de uma espiral que apresenta as diversas fases da Lua que saem de um estado de maior luz até um de maior escuridão e finalmente um retorno da luz. Essa espiral, ligada por diversas culturas à vulva32, encontra o caráter dinâmico e orbital do feminino em relação ao masculino, pois, tendo em vista a inatividade ativa do Sol, a Lua só poderia ter uma passividade de certo modo “ativa”.

Aqui, damos de cara com o tântrismo śaiva-śākta não-dual novamente, isso se deve à sua metafísica particularmente dedicada à explicar e inserir a Mulher Absoluta no seio de suas práticas. A chamada doutrina de Spanda é a mais perfeita representação do dinamismo feminino e pode ser expresso a partir das seguintes verdades: Śiva é consciência pura; Śiva deseja conhecer a si mesmo e, portanto, utiliza de seu poder criativo e dinâmico (Śākti) para produzir os seres; essa realidade manifestada a partir da união de Śiva com Śākti é dinâmica, pois, em última instância, a consciência está espectando Śākti criando, vibrando e pulsando o universo. Aqui, é verdade, a Mulher ainda está num papel de receptora das formas, mas dessa vez de modo dinâmico, como uma dança cósmica de conformidade, expansão e contração da manifestação33. Essa dança pulsante e vibratória se dá na relação de Bhairava ou Śaṅkara com Spanda ou Visarga, sendo esse o Casal de natureza eterna e imutável34. Tal união dos complementares pode ser expressa através da cruz, onde a linha vertical é o Deus e a linha horizontal é a Deusa, i.e., o vertical é o aspecto ativo e observador enquanto que o aspecto horizontal é passivo e dinâmico35. Quando uma forma se faz — ou seja, se expande —, outra se contrai, isso quer dizer que há uma constante sobreposição de determinadas formas sobre outras e que culminam na eterna valsa cósmica da manifestação onde Śiva experiencia a si mesmo dos mais diversos modos, regozijando-se com a própria iluminação. Dyczkowsi comparará essa dança da manifestação com o orgasmo (Visarga), no qual as sementes do macho e da fêmea se misturam e, recorrendo à lei da correspondência, o homem nasce36.

Ainda tomando como fonte Dyczkowsi, veremos que a tradição Śākta Śrividyā nos apresentará essa dinâmica de modo claro:

[…] Śiva e Śākti são representados nessa obra como o sujeito universal e seu objeto cósmico. A natureza infinita deles é simbolizada por dois pontos transdimensionais da consciência absoluta (bindu). Śiva é representado por um ponto branco (śukla-bindu) e Śākti por um vermelho (śoṇita-bindu): ambos se expandem e se contraem. O “Śiva branco” penetra a “Śākti vermelha”. Isso resulta na criação do universo e na transformação de Śiva em Śākti, e na transformação de Śākti em Śiva.37

O aspecto feminino é, desse ponto de vista, simplesmente a liberdade do aspecto masculino inerente a ele; essa liberdade, por graça, culmina na própria negação da natureza infinita de Śiva. Desse modo, podemos facilmente relacionar Śākti com a Possibilidade Universal, ou seja, o Infinito Metafísico visto a partir do ponto de vista da manifestação, onde ganha um caráter passivo de possibilidade e não mais de plenitude, como de fato o é. Essa interpretação está em plena sintonia com os textos tradicionais do tantra śaiva, como o Śivasūtra, onde consta: “O universo é o agregado dos poderes.” As possibilidades são propriamente Śiva e o meio através do qual o Mahā-Deva, até então sem qualidades, se manifesta.

Perceba que esse modo de encarar o Eterno Feminino não nega, de modo algum, suas manifestações enquanto Māyā (aparência das coisas manifestadas) e enquanto Prakṛti, na verdade, as integra, pois são esses também poderes de Deus: a auto-ocultação através das aparências e a receptividade das formas. Na verdade, MāyāŚākti é o próprio contraste inicial, surgido entre o sujeito e o objeto, que abre espaço para as demais distinções secundárias que surgem do inicial “isto” ou “aquilo” e, inseridos nisso, nós vivemos e, ao despertarmos, reconhecemos a nós mesmos como Śiva.

Ainda tratando de Śākti, nos resta um outro significado a ser explorado: Śākti enquanto a energia divina que permite ao homem acessar Deus. Segundo Schuon, essa Śākti possui um papel duplo na vida espiritual, precisamente o de Mãe e o de Virgem; enquanto Mãe, Ela nos socorre e, enquanto Virgem, nos atrai. Ora, não é precisamente esse o papel da Santíssima Mãe de Deus no cristianismo? O papel de pontifex entre o céu e a terra, pois a quem mais nós, os degradados filhos de Eva, poderíamos bradar a fim de deixarmos esse vale de lágrimas? Eis então que a vemos como advogada nossa, aquela que nos liga com Deus e nos protege diante do maligno. Igualmente, a vemos como a manifestação mais perfeita da beleza, beleza essa que nos guia ao sublime e nos permite regozijarmos em Deus Todo Poderoso. Ela é quem os śaivas chamam de Deusa e é ela a própria beleza que atrai o homem à sua mulher, pois é a mulher que representa a verdadeira natureza infinita do homem, i.e., Deus. Nesse duplo dinamismo feminino, inserimos o Homem como aquele que estabiliza a Mulher, enquanto que esta vivifica o primeiro; desse modo, o papel de pontifex na criação é de ambos, na medida em que ambos atraem um ao outro ao sublime e, em última instância, se complementam.


Tendo assumido o caráter dinâmico da Lua, podemos navegar em direção à águas mais profundas, nesse caso: os ciclos cósmicos. Segundo Mircea Eliade, a Lua é o astro dos ritmos da vida, tanto em sentido microcósmico quanto em sentido macrocósmico; com efeito, poderíamos apontar a relação da Lua com os fenômenos naturais como marés, ciclos reprodutivos, chuvas e colheitas. Não é preciso, no entanto, dizer que os fenômenos naturais não são nosso foco; no entanto, são necessários para que nos façamos compreender.

A contagem do tempo foi, durante muito tempo e, em algumas regiões ainda hoje, feita através da Lua38. É verdade que isso não é por acaso, mas se liga à própria natureza dinâmica da Lua na medida em que se mostra viva e, por consequência, cria um tempo vivo. Consequentemente, do mesmo modo que esses fenômenos selênicos dão medida e interferem em uma multidão de outros fenômenos, sendo esses mais diretamente ligados ao homem, eles também unem a todos esses fenômenos sob uma única regra: os ciclos lunares.

Os ciclos da Lua são como a passagem da vida em direção à morte e novamente em direção à vida. Isso, como já apontado, nos leva em direção a uma noção de Eterno Retorno, um renascimento e morte sucessivas presos na noite dos tempos. Essa morte e nascimento da Lua levam à identificação com diversos símbolos, como a já citada concha que, quando unida a um caracol, representa propriamente o ciclo lunar de morte e renascimento, assim como o símbolo do urso39.

Recorrendo às informações trazidas por Eliade acerca dos mitos diluvianos — muito conectados com o simbolismo selênico, diga-se de passagem —, vemos uma versão australiana na qual uma rã monstruosa (Dak) engole toda a água do mundo (como a Lua Nova faz parar o curso das águas) e, ao rir, cuspiu toda a água causando um dilúvio. Devemos compreender o dilúvio não apenas como uma explicação simbólica de um dado fenômeno natural ordinário, mas como a catástrofe própria do fim de um ciclo cósmico. Nesse sentido, podemos considerar que a natureza cíclica da Lua é análoga a naturezacíclica do cosmos, visto que a própria Lua simboliza o mundo manifestado.

Esse significado pode ser justificado na relação estabelecida entre a Lua e os fenômenos terrestres; Eliade irá apontar que a Lua muitas vezes é posta como causadora da destruição de formas esgotadas40, o que se relacionará com as três guṇas da tradição hindu das quais trataremos mais tarde. Ainda na destruição das formas esgotadas, vale ressaltar que os dilúvios correspondem aos três dias de escuridão da Lua; é um cataclismo necessário para dar vida à novas formas e a um novo ciclo. Muitas vezes, após o fim de um dilúvio, o único sobrevivente — homem ou mulher — desposa um animal lunar, ressaltando a relação desses fenômenos com a Lua.

Conservando-nos no simbolismo cíclico, nos resta ainda a relação das fases lunares com as iniciações e com a morte — mais propriamente a morte iniciática. Devemos começar apontando que, na maioria das tradições onde a Lua é o ponto de repouso após a morte, ela nunca é o destino final, pelo contrário, era um ponto intermediário em direção à outros lugares (Sol, Via Láctea, etc). É propriamente Pitṛyāṇa, o ponto onde o ser aguarda sua próxima manifestação, o destino daqueles que não alcançaram Devayāna — i.e., a realização dos estados do ser. É da Lua o dever de absorver as formas concedê-las uma nova existência, enquanto que o Sol as aniquila em sua Unidade livre de qualquer contingência. É do Sol que emana o verdadeiro Intelecto e é na Lua em que reside a alma individual41, isso é evidenciado pela relação da Lua com os fenômenos da psique. Plutarco postulará que na Lua nós morremos uma segunda vez e essa segunda morte é a separação da alma e do Intelecto, com o segundo partindo em direção ao sublime e os resquícios psíquicos se conservando na esfera lunar42.

Podemos dizer que a iniciação é o segundo nascimento43 e, portanto, é precedido pela morte do “eu” não iniciado. Não precisamos explicar muito para nos fazermos compreensíveis nesse quesito: a morte iniciática aqui equivale a morte da Lua, o período de escuridão que precede o nascimento da Lua como Lua Nova — que por sua vez é equivalente ao homem iniciado, i.e., o novo homem. Essa relação se faz visível nas tradições quando percebemos que certos ritos de iniciação envolviam animais lunares ou referências claras à Lua, todavia, mesmo quando elas não existem, a relação simbólica é evidente pela própria natureza do processo iniciático.

Ainda no simbolismo iniciático, devemos considerar que em determinadas tradições, a iniciação é representada pela entrada em uma caverna, o que tem um significado particularmente especial, pois representa tanto centro do ser, BrahmaPura, quanto o útero da Mãe Divina. Podemos também recordar da fórmula hermética solve et coagula, onde se deve ser dissolvido na matiz caótica para ser reabsorvido na luz do espírito.


Na tradição hindu, a Substância universal (Prakṛti) é considerada como dotada de três qualidades constituintes, estando em perfeito equilíbrio em sua indiferenciação primordial. Os seres quando manifestados rompem esse equilíbrio e passam a participar dessas qualidades em diversos níveis ou graus. Essas três guṇas são sattvarajas e tamas, respectivamente: conformidade com a essência, desenvolvimento de um estado particular do ser e degenerescência44. Usando do simbolismo da cruz, podemos dizer que sattva é a metade superior da linha vertical que representa propriamente o caminho em direção à realização última, ao Homem Universal (Al-Insān al-Kāmil); a linha horizontal, por sua vez, é rajas, ou seja, o desenvolvimento de um estado particular do ser, em nosso caso, o estado humano — podemos dizer que esse desenvolvimento horizontal é neutro em relação às outras duas guṇas e que, em última instância, representa apenas o retorno ao estado primordial do homem (Adam Kadmon) —, o último é tamas, a linha vertical inferior, é o princípio que atrai as coisas para baixo, sendo comumente associada à ignorância (avidyā)45.

A Lua incorpora esse princípio no seu ciclo de nascimento e morte, sendo mais preciso: sattva é o nascimento, ou melhor, renascimento da lua; rajas são todos os períodos intermediários da Lua, representando a própria expansão de um estado particular; por fim, tamas é a morte lunar, a escuridão que reina após a passagem das outras fases. Aqui, encontramos novamente uma relação profunda com o Eterno Feminino, onde podemos ver mais aspectos da feminilidade para além daqueles expostos anteriormente; agora contemplamos uma relação de oposição entre o feminino corrompido e o feminino ascendente.

De fato, Goethe estava coberto de razão ao proclamar que “o Eterno Feminino nos guia para o alto”, no entanto, quando há uma corrupção do feminino, ele se torna não mais uma janela para Deus, mas uma verdadeira prova iniciática, ou seja, um desafio para aquele que busca a Deus verdadeiramente. Segundo a Cabala, o demônio procede do elemento feminino, assim como no taoísmo, na tradição egípcia, etc46. Há, em cada um de nós, uma anima e um animus, respectivamente feminino e masculino; esse princípio feminino é propriamente a alma individual, nafs, i.e., o Diabo47, enquanto que o princípio masculino é o Si Mesmo (rūḥ), ou será que não está escrito “a mulher deu, e eu comi”? O que isso significa realmente? Significa que a mulher é o tentador, sobre o qual o Sheikh Darqawi nos recomenda espancar até que esteja morta.

“Do mesmo modo, disse a outro irmão: ‘Não espanques os judeus, nem os cristãos, nem os muçulmanos, mas espanca tua alma (nafs) e não deixes de espancá-la até que morra’”48

Devemos deixar claro que isso não significa que haja uma superioridade do homem em relação à mulher, mas apenas que o princípio feminino pode ser visto como o princípio individuador — que se relaciona também ao princípio feminino elevado em um sentido inverso, relacionado especificamente com tamas. Esse princípio inferior, responsável por puxar o homem para baixo, se dá na ignorância da própria natureza como princípio superior e na identificação com esse princípio feminino decaído. Devemos ainda alertar que qualquer mulher pode se identificar com o seu verdadeiro Si e rejeitar a alma individual, de modo que não se deve usar dessas doutrinas para se justificar alguma negação da espiritualidade feminina.

Podemos ainda, no tocante a essas tendências inerentes às coisas da manifestação formal, tecer comentários acerca da forma com a qual a mulher se move em uma dupla direção, ou melhor, guia o homem em uma dupla direção. Na mesma medida em que o corpo nu, posto de forma inocente, manifesta a natureza virginal que é o próprio santuário primordial, ele pode também ser razão de queda e individuação quando visto com um olhar malicioso e animalesco. Mesmo o ato sexual deve ser feito com devoção e verdade, vazio de qualquer bestialidade que, diferente da inocência das bestas, para nós é um decaimento49.


Ainda podemos, antes de encerrar nossa jornada pelo Eterno Feminino, considerar as relações entre homens e mulheres à luz das reflexões feitas anteriormente por nós. Fazemos isso para alinhar as noções teóricas e simbólicas com o comportamento dos sujeitos; esse alinhamento é necessário para a constituição de um verdadeiro modo de pensar sagrado, excluindo o vão intelectualismo comum nos meios religiosos atuais.

Como deve ter ficado claro a todo leitor atento, as noções de homem e mulher não se reduzem à classificações biológicas, mas se estendem à vocações que refletem o cosmos. Desse modo, assim como o Eterno Feminino nos ala para cima, assim também deve ser a mulher, que ala o homem em direção à sua própria natureza infinita, ou seja, deve ser um espelho que reflete Deus e que permite ao homem conhecê-lo50 e amá-lo. Igualmente, a mulher deve amar e desejar conhecer a Deus, mas considerando e se adequando ao seu papel como de fato ele é: ser um suporte de Deus e do homem, sendo o homem a manifestação daquilo que é imutável e certo, o próprio Ser.

É diante disso, portanto, que nos opomos a qualquer noção moderna de igualdade ontológica entre homens e mulheres. Em qualquer sociedade verdadeiramente tradicional, as distinções entre homens e mulheres são claras e, no reino da relatividade, não podem ser ultrapassadas; o homem deve ser absoluto e imóvel, enquanto a mulher deve refleti-lo e, por consequência, revelá-lo a ele próprio. Isso não significa que não hajam mulheres kṣatriyas ou Brāhmaṇas, ou que as mulheres não possam buscar a via da realização espiritual, pelo contrário, é de todos o caminho que leva a Deus (que pode ser mais ou menos direto ou levar mais ou menos longe, a depender da vocação do sujeito), pois ela transcende a relatividade e nos alça ao domínio do absoluto.

O homem, por sua vez, deve encarar a mulher com pureza, assim como encara a própria natureza virgem e intocada51, ou seja, distanciando o pensamento do desejo sexual impuro e afastado do divino. A mulher deve, para o homem, ser uma representação da virtude e da nobreza, sendo sua beleza uma lembrança do Paraíso. Do mesmo modo, o homem deve ser imóvel e necessário, pois sem ele a mulher não passaria de uma ilusão ausente de verdadeira realidade, puro caos sem ordem.

A mulher, muitas vezes nossa amiga, pode tornar-se também perdição na medida em que representa o desejo da alma individual. Nesse sentido, a intransigência do homem deve ser uma negação ao fruto da individuação52; deve ser ele e não ela a tomar as rédeas da família, pois ele é propriamente animus, o espírito, ao qual a alma é submissa.

  1. SILVA, João: O Satanismo dos ditos tradicionalistas, INEV, 2025. ↩︎
  2. Passagem do homem tradicional para o homem moderno, que não diz respeito ao homem relativo ao nosso tempo, mas sim sobre o homem munido de má relação com a tradição. ↩︎
  3. Berkeley muito bem dirá que o mundo é “a linguagem com que o Espírito Infinito fala aos espíritos finitos” e, nesse sentido, toda a realidade é sagrada e simbólica, desde uma simples folha até enormes montanhas. ↩︎
  4. Não se deve crer que, para além do ponto de vista puramente externo e aparente, as tradições semíticas ignorem completamente os símbolos expressos na natureza, mas que os utiliza e os incorpora em seus sistemas mitológicos; os separamos das demais tradições, no entanto, pelas confusões modernas que surgiram no decorrer dos últimos séculos, principalmente entre as contrafações do pensamento tradicional nessas religiões. ↩︎
  5. Doutrina que se encontra demasiadamente bem na Tábua de Esmeralda, e que concerne a semelhança entre as funções opostas: “Quod est inferius est sicut quod est superius, et quod est superius est sicut quod est inferius, ad perpetranda miracula rei unius.↩︎
  6. A ciência do Infinito. ↩︎
  7. Digo minimamente pois, como se verá no decorrer da dissertação, não se pode esgotar um símbolo qualquer, quem dirá um tão profundo quanto o que exporemos aqui. ↩︎
  8. Θεοτόκος, Theotókos; عائشة, ʿĀʾishah; पार्वती, Pārvatī; तारा, Tārā; माया, Māyā; etc… ↩︎
  9. “A Imitatio Christi está entre os livros que não consigo ter nas mãos sem sentir uma resistência fisiológica: exala um aroma de eterno-feminino, para o qual é preciso ser francês — ou wagneriano…”, diz Nietzsche, no Crepúsculo dos Ídolos. ↩︎
  10. Forma e matéria, Prakṛti e Puruṣa. ↩︎
  11. Que, ao menos mais recentemente, anda excluindo tudo que há de eterno e feminino. ↩︎
  12. Devemos dar uma atenção especial a essa última palavra, pois é nela que reside um dos principais problemas do neopaganismo: a quebra da corrente de ouro. Ora, a auto iniciação é absurda (nada pode ser causa de si mesmo), consequentemente, uma tradição morta não pode retornar à vida, visto que não há nenhum depositário da influência espiritual capaz de passá-la a frente. ↩︎
  13. Ou seja, lunar. ↩︎
  14. Por isso Titus Burckhardt diz que “É “legítimo” dizer que a Terra é plana, pois ela o é do ponto de vista empírico; por outro lado, é perfeitamente inútil saber que ela é redonda, pois este saber nada acrescenta ao simbolismo das aparências, mas, pelo contrário, o destrói inutilmente e o substitui por um outro que só pode exprimir as mesmas verdades, com o incoveniente de ser contrário a experiência humana imediata em geral.” Goethe teve uma excelente intuição ao se recusar em olhar pelo telescópio para não extrair da natureza o que ela não quer entregar aos nossos sentidos. Assim se compreende o limite de toda ciência natural e o limite do homem. Neste sentido, o Schuon diz que “A ilusão de um real absoluto na relatividade torna possíveis os sofismas filosóficos e engendra, em especial, uma ciência empiritsta e experiemental” — qual Jacques Maritain afirma não existir no Oriente que, para ele, “quer desvelar os mistérios metafísicos da Existência…” ↩︎
  15. Para mais informações sobre a “guerra” entre o Sol e a Lua, vide o segundo capítulo de “Astros e Símbolos”. ↩︎
  16. Não seria nem sequer possível conceber a Lua em contradição com o Sol se ela não refletisse a luz vinda dele, afinal, quem diria que Marte, ou qualquer outro planeta, é inimigo do Sol? Deve-se ainda apontar que essa “inimizade” só existe de modo relativo e que, em um sentido mais profundo, deveríamos falar em complementariedade (GUÉNON, René, o simbolismo da cruz, capítulo 6). ↩︎
  17. GUÉNON, René: “O Homem e Seu Devir Segundo o Vedanta”, 1927. ↩︎
  18. Vale destacar que, no esoterismo islâmico, esse princípio recebe o nome de Al-Insān al-Kāmil (consultar: RENÉ GUÉNON, o simbolismo da cruz, 1931; RENÉ GUÉNON, o homem e seu devir segundo o vedanta, 1927). ↩︎
  19. Não nos estenderemos nos pormenores da ideia de Ordenador Universal, é o bastante dizer que em cada manvantara (período do governo de um Manu, durando aproximadamente 4.320.000.000 de anos) essa vontade se expressa de uma forma particular, impondo o dharma desse período. ↩︎
  20. ELIADE, Mircea. ↩︎
  21. Propriamente o Mahā-Deva, o Grande Deus, a pura consciência. ↩︎
  22. MARK DYCZKOWSKI, A Doutrina da Vibração, 1987. ↩︎
  23. Vale ressaltar que Shekinah representa o feminino sagrado e não tem relação nenhuma com a corrupção desse princípio. ↩︎
  24. GUÉNON, René,o rei do mundo, capítulo III, parágrafo 2. ↩︎
  25. Mestre Eckhart: “…o Olho através do qual eu vejo Deus é o mesmo olho através do qual Deus me vê; meu olho e o olho de Deus são um único olho, uma visão, um saber, um amor…” ↩︎
  26. Intelecto aqui não assume seu significado mais profundo e absoluto, i.e., como Nôus ou Intuição Intelectual, mas sim como razão (também ligada, em certo sentido, a mulher, como veremos adiante). ↩︎
  27. Atestado também pelo islã: Certa vez, o Mensageiro de Allah (SWT) saiu para a Musalla (para oferecer a oração) do IdalAdha ou AlFitr. Então, ele passou pelas mulheres e disse: “Ó mulheres! Dêem esmolas, pois eu vi que a maioria dos habitantes do Inferno eram vocês (mulheres)”. Elas perguntaram: “Por que isso acontece, ó Mensageiro de Allah (SWT)?” Ele respondeu: “Vocês xingam com frequência e são ingratas com seus maridos. Não vi ninguém mais deficiente em inteligência e religião do que vocês. Um homem cauteloso e sensato pode ser enganado por algumas de vocês”. As mulheres perguntaram: “Ó Mensageiro de Allah! O que há de deficiente em nossa inteligência e religião?” Ele disse: “O testemunho de duas mulheres não é igual ao testemunho de um homem?” Elas responderam afirmativamente. Ele disse: “Esta é a deficiência em sua inteligência. Não é verdade que uma mulher não pode orar nem jejuar durante a menstruação?” As mulheres responderam afirmativamente. Ele disse: “Essa é a deficiência da religião dela.” ↩︎
  28. SCHUON, Frithjof, a natureza virgem é um vestígio do Paraíso terrestre. ↩︎
  29. SCHUON, Frithjof, Raízes da condição humana, capítulo final. ↩︎
  30. ELIADE, Mircea, tratado de história das religiões, capítulo IV, parágrafo 1. ↩︎
  31. Ibid. ↩︎
  32. Ibid. Desenvolveremos apenas que, sendo a concha semelhante à vulva, os antigos passaram a relacionar a espiral da concha também a vulva, não por acaso, mas pela própria relação entre os símbolos da mulher e da Lua, assim como da água. ↩︎
  33. “Assim como a fêmea do burro ou mula (no orgasmo) entra no (deleite de seu próprio) Lar, o Templo e a Beatitude que repetidamente se expande e se contrai, e é arrebatada em seu próprio coração, assim (o yogi) deve estabelecer-se no casal Bhairava, expandindo e contraindo, pleno de todas as coisas dissolvidas e criadas por ele repetidamente.” (ABHINAVAGUPTATantrāloka) ↩︎
  34. MARK DYCZKOWSKI, A Doutrina da Vibração, 1987. ↩︎
  35. Isso só pode ser dessa forma se partirmos para um nível de realidade relativo e de forma alguma último, pois, como a tradição tântrica nos diz: “Esses dois aspectos, passivo e ativo, surgem ao mesmo tempo no poder e no seu possuidor […]” (ABHINAVAGUPTATantrāloka) ↩︎
  36. MARK DYCZKOWSKI, A Doutrina da Vibração, 1987. ↩︎
  37. Ibid. ↩︎
  38. ELIADE, Mircea, tratado de história das religiões, capítulo IV, parágrafo 2. ↩︎
  39. Ibid. parágrafo 3. ↩︎
  40. Ibid. ↩︎
  41. COOMARASWAMY, Ananda, quem é satanás e onde está o Inferno. ↩︎
  42. ELIADE, Mircea, tratado de história das religiões, capítulo IV. ↩︎
  43. Razão pela qual é impossível haver auto-iniciação (GUÉNON, René, considerações sobre a iniciação). ↩︎
  44. GUÉNON, René, introdução geral ao estudo das doutrinas hindus, capítulo 11. ↩︎
  45. GUÉNON, René, o simbolismo da cruz. ↩︎
  46. EVOLA, Julius, a metafísica do sexo. ↩︎
  47. COOMARASWAMY, Ananda, quem é Satanás e onde está o Inferno. ↩︎
  48. Ad-DARQAWI, Al-Arabi, cartas de um mestre sufi, 3. ↩︎
  49. SCHUON, Frithjof, l’Ésoterisme comme principe et comme voie, Dervy-Livres, Paris, 1878, p. 126. ↩︎
  50. O que não é diferente de conhecer a si mesmo. ↩︎
  51. Suspeitamos que essa seja parte da razão pela qual a virgindade feminina é tão valorizada nas sociedades ordenadas. ↩︎
  52. GUÉNON, René, O Demiurgo. ↩︎

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